A maravilha de se estar doente de cama com o sangue a ferver de febre é... descobrir que há TVCabo em casa! E, depois, descobrir que o canal Odisseia dedica o mês de Outubro a este homem fenomenal (o ser humano mais viajado da Terra, o último Prémio Príncipe das Astúrias em Ciências Sociais, a pessoa contemporânea com mais espécies fósseis e vivas baptizadas com o seu nome, Fellow e Honoris Causa de tudo quanto é universidade, introdutor da TV a cores na Grã-Bretanha, Knight of the British Empire, 83 anos de vida longa e a maior autoridade em história natural), e ao seu novo documentário (Prémio BAFTA 2009 melhor documentário), derradeiro capítulo da série "Life on Earth" que eu comecei a ver aos seis anos e que vou ver agora nos trintas. Eis, and I almost weep here:
Sir David Attenborough's "Life in Cold Blood".
15 de outubro de 2009
A sangue-frio, ou talvez não...
13 de outubro de 2009
Jesus! Aleluia!
Sou eu, o Spotty! Em linha porque a minha Dona está com os nervos em frangalhos! Tadinha! Também, agora vendo bem, eu não tenho ajudado lá muito, é verdade.
A pobre coitada esteve sem net, nada de nada de sinal, desde sexta. Dizem-lhe que foi crash generalizado. Mas ela passou-se com os tipos do apoio técnico da Netcabo e os tipos tiveram de se ver com ela e mais os protestos dela:
- Boa tarde, tenho o prazer de estar a falar com a Srª. Dona Blonde?
- Não, neste momento deve ter o desprazer de estar a falar com a Srª. Dona Blonde que está muito stressada!
E isto, meus amigos, é só uma pequena amostra, que as minhas orelhas caninas até doem só de ouvir aqueles protestos em voz de III Reich. Livra!
Depois, sem net, a desgraçada, cai-me de cama com febre e gripe. A minha hiper saudável e gym freak, vitaminada Dona, imaginem! Lá ligou, miseravelmente para o número xpto, e lá explicou que tinha uma gripe com todas as letras do alfabeto menos o A e aguentou-se estoicamente a nimesulida. Valeu-lhe a santa Paula que cá veio no Sábado e lhe fez chás e mézinhas e lhe fez comida e pôs o marido (dela Paula que a minha Dona mandou o dela às urtigas e fez ela senão bem) e mãe (dela Paula também) a fazer-lhe bifinhos panados com medo que a minha Dona não se alimentasse. Enfim, e no meio de tanta provação, a minha Dona germânica até foi votar e tudo! Ah, ganda Dona! Que pôs o bem público à frente da pneumonia que a avaria lhe podia custar.
Ontem, sentido-se bem e magnânima, deu-me uma cama nova. Mas eu, eu..., eu não sei o que me dá e, olhem vejo uma cama nova, fofa, toda minha e não sei, não resisto a esfarelá-la. Acho que a minha Dona não gostou muito e está um pouquinho chateada comigo:
- Tu és impossível! Agora, quero lá saber. Dorme aí sem colchão com o derrière no frio a ver se eu me importo! E bem te podes ir queixar à protecção animal, ouviste? E hoje não há biscoitos e escusas de estar a olhar para mim!
É pá, essa dos biscoitos é que me abriu os olhos para a chateação dela. No biscuits? Pas de biscuits? Ó vida, acho que desta me excedi. E agora como é que eu vou amansar a minha Dona? Hein? Mas que vida de cão.
9 de outubro de 2009
8 de outubro de 2009
6 de outubro de 2009
Amália... eu devia
E devia mesmo. Devia vir aqui assinalar os dez anos de ausência da Voz. Devia vir aqui dizer como foi importante e inesperado para mim descobrir Amália em Dezembro do ano passado. Devia vir aqui referir que por causa da Amália e dessa descoberta dei comigo a coleccionar e usar aqueles pendentes, tais lustres, de cristal magníficos. Devia vir aqui confessar que o cinema português não me faz sair de casa e que fui ver o filme já este ano. Devia vir aqui novamente dizer que dou comigo a ouvir, a cantar Amália vezes e vezes sem conta e que já me passou a vergonha de lhe comprar os cds: eu a loura-bimba-phd-fã-de-pop-e-fashion-statement-walking-living-breathing-stereotype.
Devia, mas outros fá-lo-ão melhor e mais veementemente do que eu. Outros dirão os clichés todos, far-lhe-ão as belas e devidas apologias, tecer-lhe-ão as elegias. Quem sou eu, afinal, no meio da multidão que hoje diz Amália?
Devia, mas hoje estou sem palavras para a minha felicidade comezinha, aquela das coisas vividas que só são importantes para mim e nesta vida anónima, que me falta a gradiloquência que a Amália merece e que eu redundo nas palavras dos outros.
Devia, mas outros fá-lo-ão melhor e mais veementemente do que eu. Outros dirão os clichés todos, far-lhe-ão as belas e devidas apologias, tecer-lhe-ão as elegias. Quem sou eu, afinal, no meio da multidão que hoje diz Amália?
Devia, mas hoje estou sem palavras para a minha felicidade comezinha, aquela das coisas vividas que só são importantes para mim e nesta vida anónima, que me falta a gradiloquência que a Amália merece e que eu redundo nas palavras dos outros.
3 de outubro de 2009
Finalmente... a marmelada!
Depois da provação, a bonança!
Estou muito orgulhosa de mim e dos meus dotes marmeladísticos. Duas bolhas de queimaduras nos dedos, uma panela para o galheiro, o fogão na última miséria, os azulejos em volta do dito totalmente respingados de gotas de calda de marmelada explodente, e eis que fiz marmelada e geleia. Sou uma dona-de-casa feliz! (Feliz, é como quem diz: momentaneamente feliz porque cheira-me que vou ficar com o escalpe a leilão depois de a P. cá vir para as limpezas da semana...)
Obrigada pelas receitas, mas não consegui seguir nenhuma, o que me deixa estupefacta perante o meu talento culinário. Nasce uma verdadeira chef! (gaba-te cesta...)
Então, fiz duas variedades de marmelada: uma com casca de limão e canela, a outra com casca de limão, canela e cravinho. Quanto à geleia, usei a água de cozer os marmelos da marmelada e aí cozi os caroços (esperta, não?). Depois coei por um passador (as vossas receitas diziam para passar por um pano, mas calculo, acertadamente, que eu iria fazer asneira e essa operação dava muuuito trabalho) e juntei canela, açúcar e casca de limão (há que dar uso ao limoeiro aqui do quintal). Ficou tudo delicioso e tudo feito a olho, vejam só!
Aceito convites para publicar em revistas da especialidade e/ou para abrir um consórcio de marmeladas e afins.
Com marmelada blondelizante tenha um dia energizante!
:)
2 de outubro de 2009
Neste dia meu
Acordo com o cheiro de pão fresco acabado de cozer que me invade a casa. Está sossegada a minha casa. Volto-me na cama indecisa entre levantar-me ou ficar ali nos lençóis mornos, na penumbra clara do sol de Outono que entra pelas persianas e pela porta. Vai ser um dia bom. Um dia meu.
Vejo-me a descer as escadas para ir fazer café forte. Imagino-me a cortar fatias daquele pão quente feito com sêmola de milho, flocos de cevada e farinha de trigo que deve estar uma delícia. Sim, quero acordar. Tenho tanto por que acordar e o dia todo sem pressas e sem destino à minha espera. Fico mais um pouco. Só mais um pouco.
Organizo-me mentalmente. A marmelada que ainda não está pronta. As escritas. O ginásio. Uma despedida de "até sempre e obrigada". Tudo coisas para este dia meu. Tudo coisas sem pressas num dia sem rotinas. O primeiro dia meu em muitos dias, depois de muitos dias de mudança. Um dia meu igual aos dias meus que eram as minhas rotinas e que, agora, me são distantes. Tão distantes como se o passado fosse um lugar longínquo, cuja cartografia se perdeu por entre uma qualquer selva que lhe engolfou os trilhos.
Vai ser um dia bom. Um dia meu.
Vejo-me a descer as escadas para ir fazer café forte. Imagino-me a cortar fatias daquele pão quente feito com sêmola de milho, flocos de cevada e farinha de trigo que deve estar uma delícia. Sim, quero acordar. Tenho tanto por que acordar e o dia todo sem pressas e sem destino à minha espera. Fico mais um pouco. Só mais um pouco.
Organizo-me mentalmente. A marmelada que ainda não está pronta. As escritas. O ginásio. Uma despedida de "até sempre e obrigada". Tudo coisas para este dia meu. Tudo coisas sem pressas num dia sem rotinas. O primeiro dia meu em muitos dias, depois de muitos dias de mudança. Um dia meu igual aos dias meus que eram as minhas rotinas e que, agora, me são distantes. Tão distantes como se o passado fosse um lugar longínquo, cuja cartografia se perdeu por entre uma qualquer selva que lhe engolfou os trilhos.
Vai ser um dia bom. Um dia meu.
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