E eu dou comigo a reler o que escrevi e já não me lembrava. De vez em quando ainda pergunto se eu escrevi realmente aquilo que escrevi. Esta coisa do Eu na 3ª pessoa tem que se lhe diga.
Portanto, "peace had to be sacrificed in the very name of peace-keeping": claro que a paz é "sempre" sacrificada em nome da paz.
19 de março de 2014
17 de março de 2014
Sonhei-me morta
Foi um fim-de-semana esquisito. Por um lado, a felicidade enorme de ter o Manel cá em casa e a sensação estonteante e visceral de dar e receber Amor incondicional, os chavões todos em que eu caio na descoberta de que o mundo tem razão quando afirma que nada há de comparável à existência de crianças na nossa vida. Por outro lado, o confronto com a finitude de alguém que, de certa forma se me tornou próximo numa fase muito tardia da vida.
Mal lhe reconheci as feições quando o vi na solidão da cama do hospital. A mente confusa que me tomou pela irmã morta há décadas. E, no entanto, a capacidade de expressão circunvolante que lhe conheci, o falar Português de outras eras, o elaborar sobre o livro e as pesquisas que andava a desenvolver antes deste infeliz episódio. E a solidão. Sempre a solidão.
Não há família que lhe valha. Erigiu muros, literais e figurados, que lhe rodearam a vida e a tornaram inexpugnável. Quero fazer algo e não sei o quê. Sinalizei-me como uma réstia de contacto humano aos serviços sociais do hospital: a loura hiperbólica que apareceu do nada a ver de um "velho" abandonado e confuso. Pessoa difícil. Nem sempre o compreendi. Por vezes precisei de forças titânicas para que nos encontrássemos a meio caminho. Paciência, necessitei de muita. Mas foi bom para mim. Foi, acima de tudo, meu amigo.
Trazia-me baldes de cerejas da terra, e pão caseiro e queijo da serra. Deu-me carradas de lenha com medo que a minha solidão passasse frio. Nunca me cobrou honorários. Jamais me deixou pagar o que quer que fosse porque, imbuído de um cavalheirismo antigo e moribundo, ao pé dele mulher não entra com dinheiro, era assim e ponto final, que a vergonha seria demasiada naquele brio masculino. Também nunca me deu o exterior do passeio e sempre me deu passagem. Outros tempos que chegaram em resquícios ao presente.
Uma vez levou-me a casa. Uma quinta erma ladeada de muros muralhados, sistema de segurança, portão blindado e cães. Os cães que me preocupam nesta hora. Tenho sonhos desesperantes e acordo com o coração em pânico. Ontem vi-me morta mas estava viva na morte e fazia coisas sabendo-me morta. Estava consciente de estar morta e, por isso, assustei-me quando descobri que iria morrer dentro da morte. Acordei sem que o acordar me desse alívio. E agora espero. Espero que um médico desconhecido me telefone com notícias. Espero que a segurança social me contacte sobre o que eu posso fazer. Espero, entre pensamentos de mau-agouro que me infestam os sonhos e vontades humanas de honrar amizades.
Mal lhe reconheci as feições quando o vi na solidão da cama do hospital. A mente confusa que me tomou pela irmã morta há décadas. E, no entanto, a capacidade de expressão circunvolante que lhe conheci, o falar Português de outras eras, o elaborar sobre o livro e as pesquisas que andava a desenvolver antes deste infeliz episódio. E a solidão. Sempre a solidão.
Não há família que lhe valha. Erigiu muros, literais e figurados, que lhe rodearam a vida e a tornaram inexpugnável. Quero fazer algo e não sei o quê. Sinalizei-me como uma réstia de contacto humano aos serviços sociais do hospital: a loura hiperbólica que apareceu do nada a ver de um "velho" abandonado e confuso. Pessoa difícil. Nem sempre o compreendi. Por vezes precisei de forças titânicas para que nos encontrássemos a meio caminho. Paciência, necessitei de muita. Mas foi bom para mim. Foi, acima de tudo, meu amigo.
Trazia-me baldes de cerejas da terra, e pão caseiro e queijo da serra. Deu-me carradas de lenha com medo que a minha solidão passasse frio. Nunca me cobrou honorários. Jamais me deixou pagar o que quer que fosse porque, imbuído de um cavalheirismo antigo e moribundo, ao pé dele mulher não entra com dinheiro, era assim e ponto final, que a vergonha seria demasiada naquele brio masculino. Também nunca me deu o exterior do passeio e sempre me deu passagem. Outros tempos que chegaram em resquícios ao presente.
Uma vez levou-me a casa. Uma quinta erma ladeada de muros muralhados, sistema de segurança, portão blindado e cães. Os cães que me preocupam nesta hora. Tenho sonhos desesperantes e acordo com o coração em pânico. Ontem vi-me morta mas estava viva na morte e fazia coisas sabendo-me morta. Estava consciente de estar morta e, por isso, assustei-me quando descobri que iria morrer dentro da morte. Acordei sem que o acordar me desse alívio. E agora espero. Espero que um médico desconhecido me telefone com notícias. Espero que a segurança social me contacte sobre o que eu posso fazer. Espero, entre pensamentos de mau-agouro que me infestam os sonhos e vontades humanas de honrar amizades.
10 de março de 2014
O bolo de anos da Tia Bá
Só este fim-de-semana é que deu para celebrar o meu aniversário (quase dois meses depois...) e eis o bolo de anos que os meus sobrinhos (3 anos e 9 meses de gente respectivamente) deram à Tia: uma menina loirinha e escrevinhadora no meio de um relvado com flores. Muito apropriado, sim senhora. Claro que sei que isto foi ideia da mãe-mana, mas não deixo de imaginar qual será a noção que os meus sobrinhos terão da Tia. O relvado e as flores é onde brincam aqui em casa e, por isso, associarem a Tia a relva florida não é um grande exercício de imaginação. Mas, e o escrevinhadora? Será que um dia vão olhar para a Tia e pensar que a vida dela é só escrever? E a minha irmã, é assim que ela me vê? Ela, a mulher de acção, eu a sonhadora escrevente... É, um bolo de anos com uma boneca de açúcar que nos representa dá que pensar.
No resto, este foi o meu primeiro aniversário com dois sobrinhos-filhos. Haverá coisa melhor na Vida? Sim, a Tia Bá teve um aniversário tão doce como aquela boneca.
No resto, este foi o meu primeiro aniversário com dois sobrinhos-filhos. Haverá coisa melhor na Vida? Sim, a Tia Bá teve um aniversário tão doce como aquela boneca.
8 de março de 2014
Dias azuis
Chegaram os dias azuis. Ontem, o céu e a água eram um só. Adoro os primeiros dias de Primavera, quando o ar ainda está límpido das chuvas e antes de o sol ser ofuscante de Verão.
Foi um passeio feliz de lembranças muito antigas e presentes conciliados.
Foi um passeio feliz de lembranças muito antigas e presentes conciliados.
6 de março de 2014
Uma Tia de múltiplos recursos
O Manel já não ficava em casa da Tia há umas semanas, e umas semanas fazem muita diferença quando se tem 3 anos, sobretudo em níveis de xixi nocturno. E foi assim que, na primeira noite, a Tia andou levantada a mudar roupas de cama e de Manel. Só que esta Tia é muito dotada de imaginação e, determinada a não ter outra noite de xixis na cama, ontem embrulhou o sobrinho numa fralda e rematou com umas trainers. O Manel ficou ligeiramente tufado com tanta camada de fraldas e é a apreciação de uma criança de três que deixa a Tia pasma. Ao ver-se naqueles preparos, o Manel olhou para si e para a Tia e disse:
- O Mané parece um pateta!
A Tia nem sabia que ele conhecia a palavra pateta, muito menos que a soubesse usar tão bem contextualizada. Risos.
Hoje acordou sequinho.
- O Mané parece um pateta!
A Tia nem sabia que ele conhecia a palavra pateta, muito menos que a soubesse usar tão bem contextualizada. Risos.
Hoje acordou sequinho.
4 de março de 2014
A melhor sopa Blonde
De cada vez que faço esta sopa ando uma temporada a repetir e repetir até achar que três ou quatro panelas depois já começa a ser vício e é melhor fazer outra coisa. Dá como refeição e é óptima para dias de invernia. Para não variar, é a olho.
Ingredientes:
1 cebola picada
3 dentes de alho picados
2 cenouras grandes em cubinhos
1/2 abóbora manteiga em cubinhos
5 talos de aipo cortadinhos e a rama em juliana
1 chouriço encarnado
1 lata de feijão manteiga cozido
Massa cotovelinhos
1 copo de vinho branco
1/2 frasco de pesto
Tomilho fresco
Azeite para refogar
Queijo parmesão ralado
Espinafres (opcional)
Refogar muito ligeiramente a cebola, o alho e o chouriço cortado em pedaços com um pouco de azeite a cobrir o fundo da panela. Quando a cebola estiver translúcida juntar a cenoura, aipo e abóbora. Envolver e deixar cozinhar até os legumes estarem amolecidos. Depois juntar água a ferver e os cotovelinhos. Quando estes estiverem quase al dente juntar o feijão, o pesto, as folhas de tomilho e o vinho branco. É nesta altura que se juntam os espinafres se estes forem uma opção. Deixar levantar fervura até acabar de cozer os cotovelinhos ou até os espinafres estarem cozidos (o que é bastante rápido). Servir com queijo parmesão ralado. E já está!
A sopa acabada de fazer é óptima. No dia seguinte ainda é melhor.
Ingredientes:
1 cebola picada
3 dentes de alho picados
2 cenouras grandes em cubinhos
1/2 abóbora manteiga em cubinhos
5 talos de aipo cortadinhos e a rama em juliana
1 chouriço encarnado
1 lata de feijão manteiga cozido
Massa cotovelinhos
1 copo de vinho branco
1/2 frasco de pesto
Tomilho fresco
Azeite para refogar
Queijo parmesão ralado
Espinafres (opcional)
Refogar muito ligeiramente a cebola, o alho e o chouriço cortado em pedaços com um pouco de azeite a cobrir o fundo da panela. Quando a cebola estiver translúcida juntar a cenoura, aipo e abóbora. Envolver e deixar cozinhar até os legumes estarem amolecidos. Depois juntar água a ferver e os cotovelinhos. Quando estes estiverem quase al dente juntar o feijão, o pesto, as folhas de tomilho e o vinho branco. É nesta altura que se juntam os espinafres se estes forem uma opção. Deixar levantar fervura até acabar de cozer os cotovelinhos ou até os espinafres estarem cozidos (o que é bastante rápido). Servir com queijo parmesão ralado. E já está!
A sopa acabada de fazer é óptima. No dia seguinte ainda é melhor.
3 de março de 2014
Couscous à la Blonde
Fim-de-semana com tempo e alguma chuva é bom para experiências. Esta foi inspirada pelo Chef Tiger do Expresso e transformada ao gosto Blonde. Como sempre, é super fácil e feita a olho.
Ingredientes:
Couscous
1 cebola picada
2 tomates em cubinhos
1 laranja em cubinhos
Amêndoas laminadas
Azeitonas descaroçadas cortadas
Óregãos
Tomilho fresco
Azeite
Numa saladeira misturar os couscous com raspa da laranja e óregãos a gosto. Verter água a ferver sobre os couscous e deixá-los absorver a água. Enquanto isso, torrar ligeiramente as amêndoas numa frigideira. Depois de os couscous estarem prontos, juntar um fio de azeite generoso para se soltarem. Acrescentar a cebola picada, os tomates e a laranja em cubinhos, as amêndoas, as azeitonas e as folhas de tomilho (quem use sal, temperar). Voilà!
Ingredientes:
Couscous
1 cebola picada
2 tomates em cubinhos
1 laranja em cubinhos
Amêndoas laminadas
Azeitonas descaroçadas cortadas
Óregãos
Tomilho fresco
Azeite
Numa saladeira misturar os couscous com raspa da laranja e óregãos a gosto. Verter água a ferver sobre os couscous e deixá-los absorver a água. Enquanto isso, torrar ligeiramente as amêndoas numa frigideira. Depois de os couscous estarem prontos, juntar um fio de azeite generoso para se soltarem. Acrescentar a cebola picada, os tomates e a laranja em cubinhos, as amêndoas, as azeitonas e as folhas de tomilho (quem use sal, temperar). Voilà!
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