Caríssimos,
A coisa não está fácil.
Obrigada a todos por me disponibilizarem receitas e por se disponibilizarem para as provas de marmelada e geleia blondelizantes.
No resto...
Bem...
Tenho uma panela de molho desde ontem com o fundo queimado (aceito sugestões para a recuperação da mesma).
Tenho os dedos todos queimadinhos porque sempre que vou mexer no doce aquilo me explode em bolhinhas ferventes e irritantes.
Tenho o indicador direito moído de tanto marmelo descascar.
Tenho as unhas todas desgraçadas.
Tenho o fogão... bem, é melhor nem dizer.
Ainda tenho o marmeleiro carregado (ah coisa para render).
Esgotei o stock de frascos recicláveis e queimei as mãos ao esterilizá-los em água a ferver.
Resumo: ou bem que a marmelada vale o esforço ou bem que me remeto à condição de dona-de-casa PhD e muito desesperada. Deixa-me ir ver do lume antes que aquilo pegue outra vez e me desgrace outra panela.
30 de setembro de 2009
29 de setembro de 2009
Marmelada...
27 de setembro de 2009
Fomos a votos. E agora?

Agora acabaram-se maiorias absolutas. O que acho sinceramente bom. Os absolutismos irritam-me na sua tacanhez. Diálogo e negociação são, a meu ver, as verdadeiras bases sobre as quais as democracias consistentes se sustentam. Só não sei é se a nossa é uma dessas democracias consistentes. Num dia em que também a Alemanha, a cujo direito de voto perdi há 18 anos, foi às urnas reeleger a Angie Merkel, vejo um enfunado Jaime Gama tecer paralelismos entre o nosso acto eleitoral e o dos alemães e dizer que basta ver como o PS ganhou em Portugal e como é que a CDU ganhou na Alemanha (hein?!). Como se o resultado do PS fosse esmagador face ao da CDU alemã (que de CDU à portuguesa não tem nada). Ora, que eu saiba, 71,5% dos alemães exerceram o seu dever cívico, nós abstivémo-nos ao redor dos 40%. E a Chanceler Merkel tem uma maioria tão relativa como a do Sr. Sócrates. Aliás, também desceu face às eleições anteriores. Francamente, não vejo onde possa estar uma comparação que valorize os resultados do PS face aos do partido da Sra. Merkel. Enfim, deve ser a dor cotovelística da esquerda...
Depois, oiço as alucinações dos nossos dirigentes do Partido Comunista, relegado a uma minoria cada vez mais exígua, que dizem que a CDU (a nossa, claro) soma e avança. Mas esta gente ouve-se? Pois..., esqueci-me, é o raio da cassette que deve ter a fita engasgada porque a tecnologia comunista ficou nos anos '70 e ainda não chegou aos iPod capitalistas.
Claro que o Louçã não decepciona e lá veio com a má-criação ultra-esquerda contra as grandes fortunas e a pessoalizar que a Milú Rodrigues levou um valente par de patins. Havia necessidade?
De todos os discursos da praxe elejo o do Paulo Portas mas escusava tanto prolongamento que a malta não se aguenta. Ah, e também gostei de ouvir as teorias dos politólogos a presumirem que o CDS beneficiou com uma migração do eleitorado do PSD. Ó meus amigos, revejam lá a teoria, se faz favor!
No resto, lá virá mais um ciclo político em que as novidades não deverão ser muitas, em que o país seguirá o seu rumo lento e pasmado de sempre, em que o descrédito da classe política continuará inexorável. Mais do mesmo neste país de lamentos e fado.
Sr. Sócrates, os meus parabéns, trabalhe bem e que o espírito de lucidez política o acompanhe. Ámen!
25 de setembro de 2009
Vamos a votos. E agora?

Agora a Blonde está confusa.
Como é que se vota quando nem programas, nem partidos, pior, nem candidatos, galvanizam a opinião pública ou geram grandes empatias? Abster-me não é hipótese (fui votar até no dia em que a Mãe morreu porque creio que o bem-comum e o dever cívico se sobrepõem ao interesse, neste caso, dor, pessoal). Votar em branco, como agora propõem certos movimentos que não devem ter nada mais interessante para debater, é validar escolhas de terceiros e tão negligente como abster-me.
Resta-me remeter-me às ideologias partidárias que, neste momento, não sei onde param. Olho para as Esquerdas e as Direitas e só me confronto com vazios. Penso em termos genéricos no que representam ambas e quais as clivagens ideológicas que presumem representar e é só isso. Não há mais nada, nada de substancial que me incline, com certezas, para um partido ou outro. De que me interessa o TGV, ou escutas à Presidência, ou escândalos político-partidários num país em falência técnica sócio-económica? De que servem promessas meio abstractas de não aumento de impostos ou contenção orçamental se não me explicam o que se entende por essas vacuidades? Ou como as pretendem implementar? Sim, vou votar meio, ou completamente, às cegas em algo que se vulgariza chamar um voto útil, como se os restantes fossem inúteis.
Votemos, então.
23 de setembro de 2009
Esta minha Dona, não há quem aguente!

Tenho tanto que protestar que nem sei por onde começar. Valha-me Santa Quitéria de Meca, padroeira dos cães danados, se bem que eu de danado não tenha nada, embora a minha Dona repita sem cessar que eu sou um danado levado da breca, expressão que eu, por muito que tente, ainda não consegui esmifrar (e é para não dizer esmiuçar que eu cá não vou em modas).
Primeiro, não entendo porque carga de água (que não me atinja o pêlo, se faz favor) a minha Dona insiste em ter uma tag que diz "Diaries of a crazy dog driving Blonde crazy", quando o bom-senso me diz que deveria ser precisamente o inverso "Diaries of a crazy Blonde driving a dog crazy"! É que a tipa põe-me doido!
Segundo, eu bem sei que começos de ano lectivo são lixados, mas o que é que eu, que nunca assentei uma pata na escola, tenho a ver com isso? Hein? Ontem passou-me 13 horas na faculdade. Quando chegou achou que tinha de desopilar e vai daí lixou-me a noite!
Não bastou eu ter aturado dias a fio os ensaios para a audição (gente, o que eu sofri!) e eis que agora deu-lhe uma de desatar em cantorias às quinhentas! Podia ver televisão, ler, qualquer coisa, mas não. E o que é que a tipa canta? O "Fame"! E como ela de décibeis baixos não sabe nada e só não parte os vidros das janelas por pura sorte, os meus tímpanos tão sensíveis logo dão de protestar, pois então. Ora, como eu sou um macho-alfa (para mal dos pecados da minha Dona que se ia passando do neurónio louro quando descobriu o resultado dos testes psicotécnicos caninos a que me sujeitou - e é bem feita), logo corro de bradar "às armas!" com a cãnzaria aqui da vizinhança. Portanto, a minha Dona canta e eu ladro e uivo que é um encanto! E tanto assim foi ontem à noite que a tipa às tantas lá meteu a violinha no saco quando topou que ninguém ia dormir em milhas ao redor se ela não parasse as cantorias do "I'm gonna live forever" e essa tralha toda do "Baby remember my name". Gaita, que não há pachorra!
22 de setembro de 2009
Fame - remember my name
Deixem-me ser bimba hoje, please!
Fame... Porque:
- eu brincava ao "Fame" com a Mana. Tive umas leggings fúchsia (quando ninguém sabia o que eram leggings) e cortei os dedos de um par de luvas cor-de-rosa e fazia umas coreografias giríssimas que depois mostrávamos, à noite, ao Pai e à Mãe e fazíamos espectáculos para os miúdos da vizinhança. Um show pegado! Adereços e tudo!;
- a canção da Irene Cara ainda me dá abalos de medula;
- eu sabia de cor o blablabla da Debbie Allen: "You want fame? Well, it's right here where you start paying... in sweat!"
- esta nova banda sonora está uma coisa que só apetece dançar;
- é Nova York... (e aqui a Blonde suspira de saudades).
Já me estão a ver no cinema, não estão?
:)
21 de setembro de 2009
Da maciez outonal

O calendário deu a volta e o ano lectivo começou. Vivo em anos lectivos desde que me entendo por gente e, por isso, sempre começo os meus anos, os de Vida, na calma do Outono. Acho que é a estação de que mais gosto. Acaba a luminosidade em excesso e o calor que pouco suporto. O céu fica límpido e a temperatura envolve-me de morno. É também quando a minha casa deixa de ser fresca para passar a ser fria e, não sei bem porquê, sinto mais o frio do Outono do que o do Inverno, talvez por este ser fino e o outro denso e constante ou porque este frio rompe com o calor e o do Inverno segue na sequência em que arrefecem os dias.
Quatro e tal da tarde. Chego a casa. Olho para a bougainvília que se agigantou no Verão. Pego numa tesoura de poda e vou cortar-lhe os ramos que lhe dão aquele ar selvagem. Apronto-a para hibernar no tempo frio. De vez em quando oiço um tractor que passa com tinas de uvas. Lembro-me bem das vindimas. Do cheiro a engaço que pairava no ar. Das filas de tractores que pacientavam em frente à adega. Das hordas de gente com baldes e cestos e tesouras em punho. Já mal se nota o amanho das vinhas, a colheita das uvas.
Eu gostava de ir à vinha com o Pai quando as uvas estavam maduras. Os ramos que se enleavam até ao chão e escondiam os cachos. E o Pai ia ver se as uvas já estavam boas e íamos comendo bagos à medida que passávamos entre os carreiros de videiras. Eram tempos bons. Eram tempos de Outono.
Acabo de podar a bougainvília. Entro em casa. Abro as janelas para a luz entrar com réstias de calor. É o primeiro dia que noto o Outono este ano.
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