
A Blonde prefere o futebol desempenado do norte da Europa, o holandês e o alemão, sobretudo, ao futebol de brios do sul do continente. E não gosta de paragens por causa de faltas. Caramba, aquilo é um jogo de rapidez e as faltas, tirando as entradas mais violentas, são uma coisa normal. Daí que jogadores como um Cantona, um Moser (Mozer?), um Klinsmann ou um Vialli estejam entre os seus favoritos por jogarem muito fisicamente. Confesso que, no jogo do Europeu entre Portugal e a Alemanha - sempre difíceis esses jogos - a Blonde fugiu para o ginásio, mas para seu desespero teve de gramar com o jogo na mesma e assistir àquela entrada brutal do Schweinsteiger para golo. Aquilo doeu que se fartou no orgulho luso da Blonde, mas temos de admitir que foi um golaço dos que a Blonde gosta. O tipo não esteve para pedir licença e cá vai disto, é o suficiente para quebrar a moral de qualquer adversário. Mas enfim, estamos a falar de uma tipa com um espírito iconoclasta que vai ao ginásio todos os dias e só não pratica Krav Maga porque dá aulas numa universidade e, convenhamos, aparecer lá com as nódoas negras das sessões dava mau aspecto.
Para a Blonde o jogador mais irritante de todos os tempos é o Beckham (a voz então é insuportável) e o melhor nº 2 de sempre o Ronald Koeman (man, aquilo era pujança). O jogador português favorito é o Ricardo Carvalho. O mais giraço o Fernando Torres e antes dele o Matts Magnusson (sim, que a malta não é cega e já teve 16 anos!). Se lhe falassem do Marco Van Basten diria: "um senhor dos relvados". Quanto ao mais simpático, fácil: o Gary Linecker. E houve um dia, na Bulgária, que só não andou à bulha com o dono de um bar local à conta das coisas que ele dizia do Figo porque tem um grande espírito de contenção e um, ainda maior, auto-controlo germânico.
Não perdoa as decepções que a Selecção Nacional lhe dá e não gosta dos jogos arrastados do campeonato português que são uma pasmaceira. Por vezes pensa que lhe deveriam dar uma equipa para treinar que ela punha o balneário em sentido num instante! Tem pena que o Major Valentim já não esteja à frente do Boavista e mais pena tem que o Benfica não tenha lá um Pinto da Costa. Vai ter saudades de ver as conferências de imprensa de alguêm que fala em "muita dranquilidade" e que tem um penteado de desenho animado. Torce sempre pelas equipas portuguesas no estrangeiro, mesmo que elas sejam o FCP e mesmo que joguem contra equipas alemãs da sua preferência.
No aspecto controverso do futebol, enoja-lhe que o desporto seja um negócio pouco explícito. Não se importa com os milhões que se fazem (afinal, o entretenimento é suposto ser pago e vale o dinheiro que por ele se paga porque o que nos dá prazer não tem preço). Mas desgosta-a a economia paralela, a obscuridade, a falta de lisura. Também lamenta a politização do futebol. E lastima que os jogadores, tão principescamente pagos, não tenham o nível de educação suficiente para saber lidar com o dinheiro que ganham nem com ele comprarem o polimento que lhes falta em termos de background educacional/educativo (e não se importa que esta afirmação soe elitista).
Já quanto à prática, houve uns tempos em menina e moça que experimentou a baliza, mas aquilo era demasiado parado e sofria muitos golos porque ia lá para a frente jogar e deixava as redes expostas aos contra-ataques adversários. Hoje-em-dia joga umas futeboladas com o Spotty e tenta subverter os afilhados para apoiantes do Benfica... com algum sucesso, há uns um pouco renitentes (espertos), mas ainda há esperança.
A imagem ilustra o sofrimento por que tem de passar...


