A língua inglesa-americana tem problemas com o passado e dói-lhe o uso de certas expressões. Native-American, como Afro-American, é daquelas que causam pruridos do politicamente correcto. Agora chamam-lhes First Peoples, os Primeiros Povos, e African-American, Africano-Americanos para evitar o, pelos vistos pejorativo, "Afro". Santa Fé está imbuída do espírito que presta homenagem aos povos autóctones (acho que estou a ser politicamente correcta, right?) e nota-se a sua tentativa de ligar o passado ancestral ao presente. As galerias de arte que abundam na downtown dedicam-se às formas de arte nativas e há uma vasta comunidade de artistas nativo-americanos (parece-me que o Português não tem tantas comichões como o Inglês). Ouve-se música chill out pelas ruas e até o passo das pessoas é descontraído. Agrada-me esta cidade saída de um pós-Woodstock qualquer.
O estuque das casas, das igrejas e demais edifícios imita o adobe ocre das construções dos pueblos à volta. Estamos em território da cultura pueblo, comunidades sedentárias que se dedicavam à agricultura aqui no planalto do Novo México. Até a própria Natureza convoca a este sedentarismo comunitário. Há abundância de água e fontes termais quentes como em Ojo Caliente (transformado em spa de luxo). Fico com a sensação de que gostarei, um dia, de voltar aqui.
















