10 de dezembro de 2008
Um "fait divers"?!
Sim senhora, sabemos que a classe política, coitadita, é uma classe desmotivada. E também sabemos que, este ano, e valha-nos isso, o 8 de Dezembro calhou à Segunda. "Porreiro, pá!" Agora que certos veneráveis séniores deste país venham dizer que quando 48 deputados num parlamento nacional fazem gazeta é um "fait divers", gimme a break! (o "break" literal e figurado). Mais um pouco e temos um país em auto-gestão ou, então, olha, dá-se a tal folga democrática dos 6 meses à nação e arruma-se a coisa. Um "fait divers"?!
Pensando melhor, e vendo as coisas por outro prisma, se calhar até é mesmo um "fait divers" de tão banal que é vermos a Assembleia às moscas. Corrijo já a minha posição: é um lastimável "fait divers". Venham as férias que a malta quer é descanso.
E nada de costeletas
Primeirissimamente confesso que não sei se é costeletas ou costoletas e não me dei ao trabalho de ir ao dicionário! Suponho que sendo costelas e não costolas deverá ser costeletas, se não for, será talvez... bifanas.Já me interrogava quando é que aconteceria alguma coisa aos pobres dos suínos. Sim, é que as vaquinhas piraram, e os frangos engriparam-se depois de tanto nitrofurano. Chegou a altura dos leitõezinhos se intoxicarem em dioxinas, o que quer que isso seja. Ora bem, sobra o quê, carnivoramente falando? Cordeiros e cabritos. Ah, e coelhos! Olhem só a sorte de uma Blonde que de carnívoro tem muito pouco. E o pouco resume-se, precisamente, a bifes de frango e às ditas costeletas bem temperadinhas (ok, também não se diz que não a outras vitualhas carnívoras desde que bem mascaradas e não passem por animais de estimação da Heidi ou primos do Bugs Bunny).
E de talho estamos conversados. Eis que chega mais uma vaga de histerismo com a ASAE em campo em busca das toneladas de costeletas perdidas! (Hmm... belo título: "ASAE e as Costeletas Perdidas" starring Harrison Ford as Inspector da ASAE, a Christmas blockbuster in cinemas near you). Sinceramente, tenho pena das donas-de-casa, as verdadeiras. O que lhes deve valer é que é Natal e viva o bacalhau (do Pacífico, atulhado em mercúrio e chumbo) e o perú (bêbedo de tanto antibiótico).
Gaita, lembrei-me agora que faço um lombo de porco recheado acompanhado de castanhas que deve ser das poucas coisas que me resultam bem na cozinha (para grande e genuíno pasmo!) e que é servido em vez do perú natalício! Lá terei de ir indagar a nacionalidade do bicho, o que me vale é saber línguas! Não esperem, este ano a Blonde não entra na cozinha no Natal! Ufa, já me safei! Mandem lá vir os leitões irlandeses! E dioxinas com eles!
8 de dezembro de 2008
Da ignorância de uma Blonde

Constato que morreu Alçada Baptista (que já nesta vida cheguei a confundir com Baptista Bastos). Um pouco por toda a parte o coro habitual nestas circuntâncias: perde-se um vulto da cultura portuguesa (indago-me do porquê de ser sempre o "vulto" que se perde, será que não há mais nada na Língua Portuguesa que melhor epitomize "vulto", que associo a uma palavra fantasmagórica pouco correcta para contextos laudatórios como o são os obituários).
Emudeço. O que é que eu conheço de Alçada Baptista? Nada (o muito pouco não vale nada e, por isso, mais vale assumir o nada). Que estupidez! Toda a vida ouvi este nome. Toda a vida soube quem era Alçada Baptista (apesar de certas confusões). E, no entanto, toda a vida ignorei a obra e o autor. Resta-me a irritante, e pouco original, descoberta do artista das palavras num contexto post-mortem. O aprender a dar valor a algo quando o algo falta é mesquinho, é humano, todavia, mesquinho. Remeto-me, pois, a essa mesquinhez humana.
RIP.
5 de dezembro de 2008
Save a Prayer
Vou seguir o António de Almeida do Direito de Opinião, if I may. Ao que parece é para apurar a canção de amor (que lamechice de denominação) que mais nos diz ou que é a super, hiper, mega. Enfim, algo do género.
Para não escolher o "Tonight" do George Michael (que aposto ninguém conhece e porque qualquer canção do George Michael é a minha favorita de sempre e o que é que hei-de fazer?) cá vai uma diferente, de um tempo pré-George Michael.
"Save a Prayer" dos Duran Duran foi a primeira canção que ouvi quando saí da infância e comecei a ouvir música de gente crescida. Amei! Apaixonei-me logo pelo Simon Le Bon. Ouvia o disco (meu Deus eu tinha um gira-discos!) à exaustão. Sabia a letra de cor e toda ela me parecia a coisa mais romântica da vida. Foi também quando descobri as verdades da vida: "the birds and the bees"... e que havia mais coisas além dos amiguinhos... Era 1982, é preciso dizer mais?
Uns meses depois havia "Careless Whisper" e toda a minha vida mudou...
3 de dezembro de 2008
61% vs 94%
Seja como for, se até a minha amiga X fez greve e me colocou de plantão a ver o telejornal da RTP1 porque tinham ido à escola dela é porque, desconfio, deve mesmo ter havido greve. Só pode! A X fez greve! Eu repito, a X fez greve! E nem na faculdade a X fazia greve! Aliás, a X nunca protestou na vida e agora a X não só faz esta coisa inaudita de greve como vem por aí fora de cada vez que há manif. Desculpem, mas algo aqui se passa. Se a X se está a mexer eu tenho mais é de desconfiar de uma série de coisas desta vida. A X, vejam só...
Greve de Professores

1 de dezembro de 2008
Nicht nur Sex

Pode ser densa, muito política (embora pouco politizada, não obstante um certo alinhamento esquerdista), quase impenetrável no seu elitismo intelectual e alemã, mas é com capas destas que os paradigmas se quebram e humanizam. Eu adoro a Stern e mais ainda todas as capas provocantes com que uma revista seca e áspera se deixa de levar tão a sério.
Melhor do que a capa (bem, também não exageremos) só mesmo a foto-reportagem dos piratas somalis e a celebração dos 60 anos da República Federal da Alemanha (apenas para constatar como se volatilizou a RDA e como é surpreendente que todo um país e uma história desapareçam). Só não gostei mesmo que se metam em comparações sexistas entre a Angela Merkl, que não tem culpa de ter levado com uma crise mundial em cima, e os ex-chanceleres Schröder, Kohl e Schmidt. Sempre a estúpida necessidade de contrapor a mulher ao homem, alguém já se lembrou de fazer o oposto? E eu nem condescendo com feminismos!