18 de julho de 2011

Noite de ventania

Isto de viver numa Casa de ecos em noite de vendaval é um bocado como o script manhoso de um filme low cost com casas que rangem e ganham vida própria: spooky. O pior, pior foi ontem às quinhentas eu ouvir o espanta-espíritos da porta de entrada do primeiro andar antes de me ir deitar (e o que me vale é eu ter espanta-espíritos nas principais portas de entrada: é o pensar estupidamente que se alguém entrar eu oiço logo, como se não houvesse mais portas de entrada nesta Casa, enfim...). Lá fui indagar porque diabo o espanta-espíritos estava tão animado. E quando cheguei a porta escancarada porque o vento a abriu (ou seja, eu algures durante o dia devo tê-la deixado mal fechada, o problema é que eu não estive em casa durante o dia). Já se sabe, a noite traz idiotices à memória e aqui a boa da Blonde achou melhor armar o alarme no rés-do-chão e ir ver se estava tudo trancadinho. E assim como assim levou o comando do alarme para a mesinha-de-cabeceira.
Já ainda mais às quinhentas, a mesma boa da Blonde ia jurar que estava a ouvir passos a ranger dentro de casa. E como a noite é uma gaita em Casas de ecos, zás ligou o comando para o resto da Casa e deixou-se ficar muito quietinha dentro do quarto. Esta manhã, pois... o dia nunca é tão assustador e quem é que se lembra que deixou a Casa feita bunker?... Life!

17 de julho de 2011

Obrigado tia Zana!

Tia Zana, adorei o presente! A Tia Bá apareceu cá e trouxe o embrulho que o pai e a mãe abriram. Adoraram estas calças reversíveis que me vão durar o Verão inteirinho. A Tia Bá fica assim meia banza como é que alguém consegue fazer coisas tão, tão giras, mas já se sabe como é a Tia Bá...
A Tia hoje dormiu cá. A primeira vez que o pai e a mãe tiveram carta de alforria para irem laurear a pevide e aparecerem cá em casa no dia seguinte.
Acho que a Tia se aguentou valentemente! Mas a bem dizer eu portei-me lindamente e não lhe dei muito que fazer. A malta tem de ir com calma, não é? Esta manhã, a Tia estava mortinha por me vestir as minhas calças novas e ficou passadinha porque não me encontrou um pólo ou uma t-shirt em encarnado para combinar com as calças e eu tive de fazer esta figurinha triste de camisolinha verde. Isto para o fashion style da Tia é um crime. Mas eu acho que nem está mal.
Tive foi de me pôr a jeito porque, como as calças são reversíveis, a Tia pegou em mim de cima para baixo e de baixo para cima e teve de me tirar fotos com as calças assim e as calças assado e eu, já se sabe, queria mais era estar a gozar-me das calcinhas novas e metido na minha vidinha que me dá que fazer. Enfim, como é que eu digo não à Tia Bá?  
Obrigado tia Zana!

16 de julho de 2011

Peixinhos da horta blondinhos

Como já não sei o que fazer a tanto feijão verde que me dão das hortas das redondezas e já me enjoo de tanta sopa de feijão verde e tanto feijão verde cozido, lembrei-me que a Mãe e a Avó faziam uns feijões muito crocantes que eu, pouco curiosa com as artes culinárias, nunca me deu para aprender e depois fiquei sem Elas. Adiante, inventei. Não ficaram as coisas maravilhosas da minha infância. Sujei o fogão e tudo à volta e queimei o polegar direito de tal maneira que fiquei com a marca dos buracos da escumadeira tatuados. Um pavor! Mas enfim, dentro das minhas limitações, estes feijõezinhos fritos em polme ficaram saborosos e acompanhei-os com tzatziki fresquinho que corta um pouco o facto de serem fritos.

Ingredientes:
feijão verde
2 ovos
1 chávena de farinha
salsa q.b.
sal e pimenta a gosto
óleo para fritar

Arranjar os feijões, cortar as vagens maiores em dois e cozer. Depois de cozidos, escorrer bem e reservar. Num prato fundo bater os dois ovos com a salsa, o sal e a pimenta. Num outro prato dispor a chávena de farinha. Levar o óleo a aquecer bem numa frigideira (o óleo será qualquer coisa como dois dedos de altura da profundidade da frigideira). Passar cada vagem d efeijão cozido por farinha e depois pelo polme de ovo. Fritar. Quando douradinhas, retirar as vagens para uma travessa coberta com papel absorvente. Servir com salada ou um molho fresco.

14 de julho de 2011

Guizado de vegetais à Blonde

 Ontem quando cheguei a casa, a minha Paulinha linda, sem cuja existência a minha seria uma desgraça, tinha-me deixado braçadas de vegetais da horta: beringela, tomate, rabanetes e uma espécie de nabo que eu nunca vi na vida, um nabo de casca preta.
Vai daí decidi dar bom uso aos tubérculos e fazer uma espécie de guizado. Ficou uma delícia e servi com queijo ralado (para dar um pouco de proteína à coisa).
Ingredientes:
1 beringela
1 cabeça de nabo
2 rabanetes
1 cenoura
1 tomate
3 dentes de alho
1/2 cebola grande ou 1 pequena
azeite
pimenta a gosto
manjerona a gosto
1 folha de louro

Num tacho largo refogar levemente o alho e a cebola com a folhinha de louro. Depois juntar o tomate partido em pedacinho e refogar um pouco mais. Juntar a cenoura às rodelinhas e os restantes vegetais cortados em cubinhos. Temperar com uma pitada de pimenta e uma colher de chá de manjerona (e, para quem use, sal). Deixar os legumes cozerem em lume brando mexendo para envolvê-los com o preparado do refogado. Quando estiverem moles e cozidos, servi-los bem quentes com queijo ralado por cima.
Bom apetite! 

13 de julho de 2011

La pensée en Bardot

Confesso que tirando o trivial da bomba loura dos anos 50 e 60 e das campanhas em prol dos animais não sabia quase nada da Brigitte Bardot. Vi um documentário e não consigo evitar pensar na caminhada que é a vida. Vi-a nos cabelos brancos, nas rugas sem botox, na flacidez do pescoço sem liftings, nas mãos com manchas, nas muletas que usa e penso como é que uma mulher daquelas aceitou tão serenamente a idade. Era a mais rebelde de todas, das Deneuves, das Monroes e das Fondas e talvez por isso tenha seguido o percurso inverso: a rebeldia maior de desaparecer da limelight, de deixar o Tempo cravar-se-lhe no corpo e de não se preocupar que a chamem maluca por pensar que os animais, mais do que os homens, precisam dela. Ando há duas noites com imagens atrozes na mente. Não são imagens de gatos e cães abandonados, são a barbárie que incutimos nos seres que connosco partilham o planeta. Coisas inomináveis, cujo choque que me causaram me perduram no pensamento de tal forma que choque, para aquilo, é um eufemismo.
Gostei da Bardot. Uma daquelas super-Blondes inigualáveis que me lembram que era escusado eu um dia ter querido ser morena para experimentar. Nunca experimentei. Vi aquela mulher nas suas muitas décadas de vida e tive-lhe um respeito monumental. O respeito que tenho por todos os que já viveram, enquanto eu aqui em baixo vou pensando no que faço da minha vida, esperando fazer algo que não a desperdice. Olhando-me no futuro gostaria de ver para trás na realização do passado, sem mágoas, coisas incompletas e, sobretudo, sem arrependimentos. Acho que só a idade nos traz esse apaziguamento: a paz de dizermos que vivemos.  

12 de julho de 2011

Do maravilhoso de ver crescer

Agora com oito meses de bebé Manel é que me apercebo como tudo tem de ser aprendido. Eu pensava que os bebés eram uma coisa semi-amorfa que iam apreendendo o mundo à volta como por osmose. Agora acho-os criaturas do mais inteligente que há. Têm de aprender tudo, no mais total que o tudo implica, desde o princípio. Aprender a dormir, a deglutir, a virar-se, a pôr-se de bruços. Discernir entre sede e fome. Não se trata só das grandes aprendizagens: a fala, o andar. É tudo! E todos os dias há uma qualquer pequena-grande conquista. Olho para o meu sobrinho Manel e fico siderada com a velocidade a que ele se integra no mundo e na vida. Coisas como a expressão do olhar mudam à velocidade da luz. E o mais surpreendente é que aos oito meses um bebé já tem diversas expressões no olhar. Franze o sobrolho, olha com interesse, fixa-se em determinada coisa, olha de riso, de curiosidade ou de derretimento. Tudo olhares diferentes. E aos poucos começo a esquecer-me de como era a vida antes de ele aqui chegar...

11 de julho de 2011

Só dura hoje

É tão bonita e tem uma vida tão breve. Se eu não tivesse ido à caixa do correio não a teria visto. E é tão bonita. Às vezes vejo os botões no cacto e penso que não me posso esquecer de os ver florir mas esqueço-me sempre. Hoje foi esta surpresa boa.