7 de setembro de 2019
Sardenha em catalão
Na Sardenha fala-se, naturalmente, italiano e fala-se o dialecto local,o sardo. Porém, aqui na parte ocidental da ilha fala-se catalão Na verdade, o Reino medieval de Aragão tinha aqui domínios e a língua perdurou até agora. Nas ruas, a informação é bilíngue italiano e catalão e há mesmo um monumento ao orgulho linguístico catalão e à sua preservação. Amante de línguas e semi-poliglota, fascinam-me estas curiosidades. Sorrio a este bi ou tri-lingualismo na Sardenha. Preserve-se.
4 de setembro de 2019
Sardenha: Alghero
E lá tive de ir a Alghero para não dizer que não fui à cidade sarda mais importante aqui neste pedaço de Sardenha em que me encontro para uns dias de recarregamento de baterias all by myself. Foi um ano tão extenuante profissionalmente que preciso isolamento e dolce far niente e a Itália, já se sabe, é que inventou esse conceito. Bom, para Alghero, então.
Era uma vilota piscatória, agora convertida ao turismo da chinelice. Há parques de campismo gigantes à volta do perímetro urbano e as praias limítrofes não são as mais bonitas da região. Perco-me nas ruazinhas. Descubro igrejas mas, sobretudo, fico parva com o comércio de coral vermelho. Pensava que já estava interdita ou, pelo menos, muito limitada a extracção coralífera, Pelos vistos não. Já tinha lido nas brochuras que promovem Alghero que é a capital do coral vermelho mas não pensava que era este absurdo. Enoja-me. Fujo. Só penso, como tenho pensado muito nesta viagem desde que, do céu, vi o Tejo seco, que isto não vai acabar bem para nós. Daremos cabo do planeta se continuarmos assim mas esquecemo-nos que o planeta terá a última palavra. Não é o planeta que morrerá, é o Antropoceno que dará lugar a uma outra era do planeta, uma em que, tal como sucedeu aos dinossauros, nós não estaremos presentes.
Era uma vilota piscatória, agora convertida ao turismo da chinelice. Há parques de campismo gigantes à volta do perímetro urbano e as praias limítrofes não são as mais bonitas da região. Perco-me nas ruazinhas. Descubro igrejas mas, sobretudo, fico parva com o comércio de coral vermelho. Pensava que já estava interdita ou, pelo menos, muito limitada a extracção coralífera, Pelos vistos não. Já tinha lido nas brochuras que promovem Alghero que é a capital do coral vermelho mas não pensava que era este absurdo. Enoja-me. Fujo. Só penso, como tenho pensado muito nesta viagem desde que, do céu, vi o Tejo seco, que isto não vai acabar bem para nós. Daremos cabo do planeta se continuarmos assim mas esquecemo-nos que o planeta terá a última palavra. Não é o planeta que morrerá, é o Antropoceno que dará lugar a uma outra era do planeta, uma em que, tal como sucedeu aos dinossauros, nós não estaremos presentes.
31 de agosto de 2019
Sardenha: De autocarro
Peço um chauffeur privado no hotel que me leve a passear e a ver vistas. Enfim, quero um guia privado porque venho sem paciência par alugar um carro e não participo em excursões e empacotamentos para turistas.
- Signora - diz-me a recepcionista do hotel -, por que quer um motorista se temos um serviço de autocarros que vai de Alghero a Cappo Caccia e passa por todas as praias e sítios bonitos?
Insisto que, então me chamem um táxi.
- Ma, Signora - oiço insistência de volta -, tem aqui o horário e o bilhete diário custa só seis euros.
Decido contra a minha intenção e sigo o conselho, apesar de desconfiada. Afinal, não ando de transportes públicos desde nem sei quando e, sabendo do gosto italiano para a confusão e não cumprimento de horários, palpita-me que posso arrepender-me de ir ao arrepio do meu pseudo-bom-senso.
O meu hotel está no meio de uma floresta de pinho manso à borda de água mas nas traseiras da propriedade passa a estrada que vai até Alghero, a vinte e tal quilómetros, e que, no lado oposto, vai por todas as praias, baías e enseadas até à monumentalidade natural de Cappo Caccia. Ponho-me na estrada à espera do autocarro. Os italianos são loucos ao volante e, apesar do traço contínuo, vejo ultrapassagens triplas numa estrada onde mesmo dois veículos em contra-mão se têm de encolher. Vendo a estrangeira loura, os carros e motas apitam-me e oiço chamaram-me bella ragazza italiana! Farto-me de rir de mim para mim e escangalho-me algumas vezes. Aprecio a experiência e só regressarei ao hotel ao fim do dia. Nunca seis euros me levaram tão longe, me renderam tanto ou me fizeram admirar vistas tão deslumbrantes.
A felicidade, de facto,precisa de muito pouco. Gratidão...
- Signora - diz-me a recepcionista do hotel -, por que quer um motorista se temos um serviço de autocarros que vai de Alghero a Cappo Caccia e passa por todas as praias e sítios bonitos?
Insisto que, então me chamem um táxi.
- Ma, Signora - oiço insistência de volta -, tem aqui o horário e o bilhete diário custa só seis euros.
Decido contra a minha intenção e sigo o conselho, apesar de desconfiada. Afinal, não ando de transportes públicos desde nem sei quando e, sabendo do gosto italiano para a confusão e não cumprimento de horários, palpita-me que posso arrepender-me de ir ao arrepio do meu pseudo-bom-senso.
O meu hotel está no meio de uma floresta de pinho manso à borda de água mas nas traseiras da propriedade passa a estrada que vai até Alghero, a vinte e tal quilómetros, e que, no lado oposto, vai por todas as praias, baías e enseadas até à monumentalidade natural de Cappo Caccia. Ponho-me na estrada à espera do autocarro. Os italianos são loucos ao volante e, apesar do traço contínuo, vejo ultrapassagens triplas numa estrada onde mesmo dois veículos em contra-mão se têm de encolher. Vendo a estrangeira loura, os carros e motas apitam-me e oiço chamaram-me bella ragazza italiana! Farto-me de rir de mim para mim e escangalho-me algumas vezes. Aprecio a experiência e só regressarei ao hotel ao fim do dia. Nunca seis euros me levaram tão longe, me renderam tanto ou me fizeram admirar vistas tão deslumbrantes.
A felicidade, de facto,precisa de muito pouco. Gratidão...
28 de agosto de 2019
Sardenha: Cappo Caccia
Há qualquer coisa de A Guerra dos Tronos neste penhasco vertical e sua escadaria de medo até às grutas À borda de água. Estou em Cappo Caccia. Venho aqui em aventura. Disseram-me que podia vir por mar ou, se fosse aventureira, por terra. Escolho a aventura e a vertigem, eu que sou vítima com provas dadas de intolerância às alturas. Ai, o medo, esse sedutor.
São seiscentos e muitos degraus a pique esculpidos na verticalidade do penedo. O mar é fundo no fundo mas tão incomensuravelmente azul. Poucos se aventuram. Um ou outro casal que desce, aventuroso como eu na minha solidão. Depois há uma ou outra alma que passa por mim subindo, os bofes de fora, a pele ruborizada pelo chicote do sol. Ainda bem que trago t-shirt e calções e chapéu e água A descida é penosa, a subida será um calvário mas vale a pena. Testo limites. Confronto o sol inclemente e olho para a extensão líquida onde vive Poseidon a quem aqui chamam Neptuno e que dá nome às grutas que chamam chusmas de turistas lá onde o penedo toca na água.
Ao cabo da descida, heróica para mim que sobrevivi às vertigens estando só, a entrada da gruta. Há um ancoradouro para os turistas que preferem vir no conforto dos barcos turísticos que os vomitam à entrada das cavernas. Olho para a fila de centenas de gente de mochila às costas e penso que não estou para aturar isto. Estou de férias e não me considero uma turista apenas. Desisto de ver as grutas dessecradas e devassadas por tanta e tanta gente. Faço-me à escadaria do precipício. Absorvo as vistas, sinto os pulmões e chego a fim, bem no cimo da montanha de pedra a desejar sentar-me nem que seja no chão. Recomponho a respiração. Estou feliz com o meu feito e aqui de cima a vista deste mar é sublime. Sublime. Estou só e a paisagem é tão tudo.
Gratidão...
São seiscentos e muitos degraus a pique esculpidos na verticalidade do penedo. O mar é fundo no fundo mas tão incomensuravelmente azul. Poucos se aventuram. Um ou outro casal que desce, aventuroso como eu na minha solidão. Depois há uma ou outra alma que passa por mim subindo, os bofes de fora, a pele ruborizada pelo chicote do sol. Ainda bem que trago t-shirt e calções e chapéu e água A descida é penosa, a subida será um calvário mas vale a pena. Testo limites. Confronto o sol inclemente e olho para a extensão líquida onde vive Poseidon a quem aqui chamam Neptuno e que dá nome às grutas que chamam chusmas de turistas lá onde o penedo toca na água.
Ao cabo da descida, heróica para mim que sobrevivi às vertigens estando só, a entrada da gruta. Há um ancoradouro para os turistas que preferem vir no conforto dos barcos turísticos que os vomitam à entrada das cavernas. Olho para a fila de centenas de gente de mochila às costas e penso que não estou para aturar isto. Estou de férias e não me considero uma turista apenas. Desisto de ver as grutas dessecradas e devassadas por tanta e tanta gente. Faço-me à escadaria do precipício. Absorvo as vistas, sinto os pulmões e chego a fim, bem no cimo da montanha de pedra a desejar sentar-me nem que seja no chão. Recomponho a respiração. Estou feliz com o meu feito e aqui de cima a vista deste mar é sublime. Sublime. Estou só e a paisagem é tão tudo.
Gratidão...
24 de agosto de 2019
Sardenha-Paraíso
Em Portugal chove em Agosto o Tejo está seco e há uma comoção por causa de greves de motoristas. Estou a um mundo de distância e acredito que ainda há paraísos na Terra. Não sei se durarão muito mais com este abuso que impomos ao planeta. Para já, desligo a mente, não quero saber de notícias e vou viver numa bolha auto-imposta e fantasista. Andamos todos a precisar de escapes de um mundo cada vez mais absurdo.
Inspiro o Mediterrâneo meu amigo numa Sardenha onde nunca vim.
Inspiro o Mediterrâneo meu amigo numa Sardenha onde nunca vim.
21 de agosto de 2019
Rumo à Sardenha
Depois de vários anos a viajar sem intermediação de agências, este ano em que profissionalmente me desgastei como nunca, preciso de entrar numa espécie de retiro do mundo e de tudo. Desligar. Estiar. Como o Mediterrâneo sempre me foi amigo e abrigo, escolho a Sardenha. Bem sei que é infestada de turistas, por isso na agência que vai tratar deste escape, pois nem força tenho para planear as férias e dou de bandeja que mas tracem e mas dêem prontas a consumir, o pré-requisito é explícito: não quero proximidade à Costa Smeralda, não quero enxames de turistas à volta. Quero paz e sossego.
A agência que contrato só trabalha com viagens à medida por isso a escolhi e, por isso, a certeza de que estará à altura. Encontram-me um local fantástico numa zona menos descoberta da Sardenha. Nunca ouvi o nome Alghero na vida, nem sabia que aí havia um aeroporto. Há. Só deve receber meia dúzia de voos por dia. É longe de Cagliari, a capital da Sardenha. Longe da Costa Smeralda, o íman de turistas na Sardenha. O hotel onde vou ficar nem sequer é em Alghero. Perco-me e é mesmo isso que desejo. Sardenha,aqui vou eu!
A agência que contrato só trabalha com viagens à medida por isso a escolhi e, por isso, a certeza de que estará à altura. Encontram-me um local fantástico numa zona menos descoberta da Sardenha. Nunca ouvi o nome Alghero na vida, nem sabia que aí havia um aeroporto. Há. Só deve receber meia dúzia de voos por dia. É longe de Cagliari, a capital da Sardenha. Longe da Costa Smeralda, o íman de turistas na Sardenha. O hotel onde vou ficar nem sequer é em Alghero. Perco-me e é mesmo isso que desejo. Sardenha,aqui vou eu!
17 de agosto de 2019
Córsega-Sardenha
Por muito mundo que eu corra, há sempre um chamamento que não sei como nasceu mas que sei de onde vem. Chama-se Mediterrâneo. Talvez que me tenha sido incutido pelo David Attenborough e pela sua série que mais me marcou a adolescência e se chama "O Primeiro Éden: O Mundo Mediterrânico e o Homem"ou talvez tenha nascido nos Verões com cheiro a pinho no Algarve da minha infância, dias longos e felizes passados com a minha família luso-alemã. Não sei, só sei que Mediterrâneo me é irresistível e, embora o Algarve não seja mediterrânico, o cheiro é e o cheiro é um poderoso criador de memórias. Sempre fui feliz no Mediterrâneo, esse mar quase sem vento e sem marés. Qualquer das orlas, sul, norte, este, oeste me são favoritas. Este ano vou conhecer mais um destino neste Mare Nostrum. Acho piada ao sobrevoo entre a Córsega e a Sardenha, o motor do avião, que me está na mira de visão, a fazer a divisória entre estas ilhas do Mediterrâneo ocidental. Vou para um delas. Talvez para o ano, ou em breve, vá à outra. Já estou feliz e ainda não aterrei. Primeiro vou a Roma fazer um transbordo e já regresso aqui.
14 de agosto de 2019
Já não há Tejo
Sobrevoo a planície da várzea ribatejana e vejo um risco serpenteante cor de areia onde deveria estar um fio azul líquido. De Santarém para cima o Tejo secou. A constatação entristece-me na mesma medida em que me surpreende e me zanga. Serei só eu a notar este desastre? O que é que andamos a fazer e como vamos viver neste cenário de devastação?
10 de agosto de 2019
7 de agosto de 2019
Mudança de vida
Sem que nada o desse a entender, esta estação de comboios, numa Baixa lisboeta que nunca frequento, nem mesmo me são sítios próximos as estações de comboio, mudou-me a vida há exactamente dez anos. Nunca mais nada foi igual. A própria Lisboa não era igual a esta, tão sobrelotada.
A cor da noite caíra sobre o céu, o relógio da Estação do Rossio marcava as 21.30. A vida aconteceu e acontece desde aí...
A cor da noite caíra sobre o céu, o relógio da Estação do Rossio marcava as 21.30. A vida aconteceu e acontece desde aí...
3 de agosto de 2019
Acordar com Atlântico
Pensei acordar num atlântico inundado de sol e azul. Acordei entre brumas e cinzentos. Fixei-me na beleza selvagem e nórdica que a palidez das cores evoca. A meio do Norte, este Atlântico é tão vasto, profundo e misterioso que me lembra paisagens muito mais setentrionais e frias. Depois há o vento, essa presença aqui denominada nortada, o vento que nos refresca as noites, tão diferentes das do domesticado Mediterrâneo. Aliás, comparo sempre estas duas massas de água na lembrança de que uma é um oceano, a outra um mar e só isso faz toda a diferença.
Abro a portada e inspiro a brisa salina que me desalinha os cabelos e cuja frescura considero fria na contacto com o corpo. Podia ter acordado num belo dia de sol azul mas este cinza também tem o seu encanto.
Abro a portada e inspiro a brisa salina que me desalinha os cabelos e cuja frescura considero fria na contacto com o corpo. Podia ter acordado num belo dia de sol azul mas este cinza também tem o seu encanto.
31 de julho de 2019
Ir ao Teatro
Já não ia a espectáculos no teatro Nacional D. Maria II há anos. No entrementes, já tenho usado o café do foyer como ponto de encontros (às vezes desencontros, pois já calhou marcar qualquer coisa lá e estar fechado). Fui agora, num destes Domingos de sol e Lisboa infestada de turistas. Não sei porquê senti-me um misto entre indígena lusa e estrangeira alemã. Tem dias assim quando se vive na hibridez. Acho que foi dos turistas todos, ou de o espectáculo estar legendado, ou de eu ter ido no carro a ouvir música alemã. Foi o que quer que fosse.
27 de julho de 2019
Da vida no campo
Viver no campo não tem o glamour da vida na cidade. Aqui não temos museus, cinema, restaurantes da moda com pratos super-instagramáveis, não temos street art, nem bulício internacional. Somos uns saloios que não gostam de confusão. Eu sou um híbrido nascido numa cidade grande, num país estrangeiro que trabalha numa capital movimentada e que aguenta as idas e vindas só para vir dormir a casa, no campo, rodeada de verde, sem cinemas, nem restaurantes de comidas super-instagramáveis. Mas aqui sou-me e tenho-me e chegar a casa ter na mesa à minha espera o fruto da terra e do trabalho do Homem que comigo repartem estas gentes campestres é impagável. se eu podia viver na cidade? Poder podia mas não me seria o que sou.
Obrigada, a quem aqui neste meu campo me abraça em generosidade.
Esta semana deram-me maçãs, pêras, amoras, pimentos, tomates, pepinos, courgetes e salsa. Calhou esta semana, noutras dão-me outras coisas na circularidade do Tempo da terra...
Obrigada, a quem aqui neste meu campo me abraça em generosidade.
Esta semana deram-me maçãs, pêras, amoras, pimentos, tomates, pepinos, courgetes e salsa. Calhou esta semana, noutras dão-me outras coisas na circularidade do Tempo da terra...
24 de julho de 2019
Só mais uma flor
Se calhar ando a dar muita importância às flores que vejo aqui pelo campo. se calhar é porque cada vez tenho menos tempo para apreciar este campo, a Natureza e todo este ambiente que me faz vida. Se calhar é um reflexo da clausura em que vivo porque há outra vida a chamar. Alegro-me por ainda ter a capacidade de observar momentos. Uma flor no chão e, de súbito, apercebo-me da Natureza que está sempre aqui, eu é que não...
20 de julho de 2019
Tapete de flores
Percebo porque é que há festas populares em que as ruas se cobrem de tapetes de flores. É o Homem que tenta imitar a grandiosidade singela da Natureza. Como é que uma pessoa não há-de maravilhar-se quando caminha sobre caminhos de flores?
17 de julho de 2019
Flores silvestres
Encontrei esta flor andando por aqui nos meus passeios campestres. É minha conhecida mas não lhe sei o nome: campainha?, câmpanula?, lírio silvestre? Não faço ideia mas, na sua simplicidade alva, é das coisas mais inundadas de luz e beleza que ver se possam. Há que dar graças pelas pequenas maravilhas...
13 de julho de 2019
Acabou o nojo pós-divórcio
Então parece que a Lei acabou com a lei do período de nojo pós-divórcio. O que me espanta é como houve uma lei tão estúpida como essa. O que me mais do que espanta é como eu não só apanhei com essa lei como a cumpri por excesso porque depois de o meu divórcio ter sido decretado, ao fim de sete anos de bulha, eu desapareci do sistema de registos nacional e levaram que tempos a encontrar-me.
Enfim, haja esperança para quem quer a liberdade.
Enfim, haja esperança para quem quer a liberdade.
6 de julho de 2019
Floresta no Montejunto
Há coisas perto de casa que são tão misteriosas, desconhecidas ou tomadas por garantidas que mal delas nos damos conta. Venho às arribas do Montejunto num dia em que desponta a Primavera. A floresta despida a tomar-se de sol, enquanto inspira serenamente, para o verde que aí vem, tem contornos de paisagem boreal dos contos dos irmãos Grimm. Quase parece uma floresta encantada de onde se espera surjam cavaleiros ou onde se escondem bruxas e fadas. Um passeio aqui, tão perto e tão longe da grande cidade, é entrar em todo um mundo de maravilha.
3 de julho de 2019
Jerez de la Frontera
Nunca me tinha acontecido ir a uma cidade monumental de fama e glória e encontrar a catedral fechada, penso que por causa da hora da siesta. Parece-me, mesmo, inaudito mas é o que aconteceu. Chego eu, pronta para me embrenhar em Jerez, que se deve chamar "de la Frontera" por ter sido aqui em tempos antanhos uma fronteira com os territórios mouros do al-Andaluz, e a cidade está fechada. O comércio fechado, a catedral fechada, o Alcázar fechado. Há uma bodega típica que faz provas de xerez, como convém na pátria deste vinho, ao pé de onde estacionamos o carro. Espreitamos só pois, palpita-nos que haverá tantas que poderemos escolher a que mais nos agradar. Rumamos ao centro da cidade e deparamos com o panorama desolado. Aberto, apenas a adega do Tio Pepe, íman turístico que não apela pela quantidade de gente que, estando o resto da cidade fechada, aí encontra com que se entreter. Dispenso e refazemos os passos até à bodega simpática e castiça ao pé do carro aparcado. Má sorte, triste fortuna. No entrementes de termos ido dar de caras com a catedarl fechada, os monumentos fechados e as filas de turistas a querer experiências vínicas pré-fabricadas, a bodega fechou. O que trago de Jerez? Nem uma garrafinha de vinho para recordação. Fuga foi o sentimento que dali nos levou.
30 de junho de 2019
Gibraltar visto de Espanha
O dia em que estive em Gibraltar estava nublado, pardacento, melancólico, muito diferente do dia em que subo aos montes vizinhos e o observo ao fundo na sua solidão de rocha escarpada e velha. Só assim se tem a real percepção da sua diminuta dimensão no coração de Espanha. Do aglomerado urbano que circunda O Rochedo, apenas uma ínfima fracção é Gibraltar, tudo o resto é Espanha que faz questão de se encostar o máximo que pode à fronteira. Mal se dá por ela. Parece uma portagem em hora de ponta e nada mais, ou um porto onde atracam ferries e se assista ao movimento de gente e carros de um lado para o outro. Olhando para a vastidão espanhola, Gibraltar, e o Rochedo em particular, têm a minúscula e dolorosa dimensão de uma ponta de alfinete ali cravada. Majestoso, O Rochedo domina, na sua altivez, a paisagem envolvente. Não é o promontório mais alto daquelas cercanias mas é singular pelo seu obstinado destaque e o não querer ligar-se à cordilheira que o cerca por todos os lados menos do do mar. Fiquei-lhe com respeito...
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